Retoma?

Nestes últimos dia têm-se multiplicado as notícias em como a crise acabou. Tudo está bem quando acaba bem, parece ser a tónica da mensagem. Nos EUA as bolsas tiveram um dos melhores meses de sempre. A perda de empregos parece ter diminuído o seu ritmo. Não querendo ser apelidado de pessimista a verdade é que estamos muito longe da retoma, quer na Europa, quer nos  EUA. As medidas tomadas limitaram-se a dar um estímulo artificial à economia. Um bom exemplo disso são os pacotes de estímulo económico. Os efeitos destas medidas estão agora a fazer-se sentir mas vão ser todos temporários. Os governos não podem continuar-se a endividar cada vez mais para estimularem a economia. Além disso, todas as medidas tomadas pelos bancos centrais apenas vão contribuir para agravar o problema. O BCE e a Fed continuam a prosseguir políticas de “quantitative easing” que incluem juros artificialmente baixos e compra de activos tóxicos. Essas soluções são exactamente aquilo que nos levou à crise mundial. Continuamos altamente dependentes da dívida. O dinheiro que está a ser injectado nos mercados vai causar uma hiperinflação. Toda esta moeda que está a ser emitida vai causar um aumento enorme da massa monetária. Isso vai contribuir para a desvalorização da moeda e aumento dos preços. Quando existe uma crise tem de ocorrer um período em que os recursos são alocados para partes da economia em que são mais necessários. Esse processo é feito pelo mercado. O estado ao intervir apenas está a distorcer a intervenção do mercado adiando o necessário reajustamento. Os maus bancos devem entrar em falência e em seu lugar devem surgir novos bancos mais saudáveis. Todos nós sabemos o que aconteceu ao Japão na década de 90 com os bancos e empresas “zombie”. No entanto, parecemos não ter aprendido nada. Enquanto isso, continuamos a levar a nossa economia para o abismo. Assim, estes sinais de recuperação são sol de pouca dura. Se as taxas de juro não subirem vamos ter hiperinflação e moedas fracas, principalmente o dólar. Tudo isto continua a ser escondido do público pelos media que se limitam a repetir que a crise chegou ao fim. No entanto, quem percebe o funcionamento da economia sabe que estamos no “olho” da tempestade. Se não subirem as taxas de juro rapidamente, iremos começar a presenciar um aumento generalizado dos preços no Outono, principalmente nas commodities alimentares e energéticas. Deixem o mercado reajustar-se quanto antes.


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Portugal irá crescer a uma taxa média anual de 1,5% entre 2011 e 2017.
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