Escrevo este post enquanto o país está a ser atingido por uma grave vaga de incêndios. Mas não é disso que vos venho falar. Existem problemas ainda mais graves, nomeadamente os económicos. Todos já percebemos que o crescimento de 1,1% no 1T se deveu, principalmente, à renovação do parque automóvel nacional. A questão é que a renovação do parque automóvel implicou mais endividamento externo. Não vejo como é que isso possa ser positivo. Os dados do 2T vêm confirmar a efemeridade dos dados do 1T. E temos de ter em conta que as medidas de austeridade ainda não foram contabilizadas, visto que estas só entraram em vigor no 3T (excepto a sobretaxa do IRS que entrou em vigor em Junho). De qualquer forma, a situação é clara. O país continua no limbo. Os mercados interbancários estão fechados. Os nossos bancos estão a ser mantidos à tona pelo BCE. Só que todos nós sabemos que isso não pode ser uma solução permanente. Mais cedo ou mais tarde os bancos vão ter de aceder aos mercados ou então terão de ser liquidados. O défice comercial aumentou apesar do crescimento percentual das exportações superior ao das importações. Contudo, esse efeito deverá durar pouco tempo visto que se espera uma depreciação do dólar tendo em conta as medidas propostas por Ben Bernanke. O défice público e a dívida pública continuam a aumentar. Resta ainda saber o impacto dos casos BPN e BPP no défice. Será que o Sr. Teixeira dos Santos vai tirar mais algum truque do seu manual de contabilidade criativa. Portanto, podemos afirmar com toda a clareza que a situação que vivemos é muito grave. Quando voltarmos das férias teremos um país em muitos maus lençóis. A minha aposta é que até ao Natal teremos novidades. Isto está muito perto de rebentar e, acreditem, não será bonito de se ver.
Portugal: Um caso sem solução
Published August 13, 2010 Uncategorized Leave a CommentTags: comercial, crescimento, crise, défice, dívida, endividamento, finanças, perspectivas, portugal
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