A caminho do precipício

Parece que, como muitos antecipavam, os receios relativamente à capacidade Portugal cumprir com as suas obrigações voltaram ao mercado. Nada de anormal. Os dados que existem indicam que Portugal não tem capacidade para resolver o grave problema de endividamento que a nossa economia enfrenta. A despesa continua a aumentar e o endividamento aumenta mais do que aquilo que seria espectável tendo em conta o valor do défice apurado até agora. Isto diz-nos que as contas apresentadas pelo governo não reflectem a realidade financeira do estado. Relativamente aos yields das OT, estes estão a bater nos 6%. Enquanto isso, os membros do governo ignoram a situação de crise orçamental e o eminente bancarrota do estado. Os mercados não confiam em Portugal. E isso nada tem a ver com a estabilidade política. Tem a ver c0m a incapacidade de o país servir adequadamente a sua dívida. A prova disso são os enormes yields que nos são exigidos. Assim sendo, restam duas grandes opções ao nosso governo.  A primeira é pedir ajuda à UE/FMI ignorando o facto de o país estar sobrecarregado com um elevado nível de dívida. Isso irá comprar algum tempo mas no final, o dia D acabará por chegar. A segunda opção é assumir perante os mercados a incapacidade de servir a dívida e entrar em default. Depois resta-nos renegociar a dívida e pagar aos credores qualquer coisa entre 50 a 60 cêntimos por euro. É também a solução que assume os reais problemas do país e nos dá uma hipótese de recomeçarmos de novo com um nível de dívida menor. Tudo o resto é wishful thinking. Por fim, temos também uma terceira hipótese que é não fazer nada e deixarmos as coisas andar. O problema é que esta estratégia terá sorte se durar até ao Natal. Mais cedo ou mais tarde os nossos políticos terão de admitir o inevitável, a bancarrota nacional. Por isso é que digo, tendo em conta os dados que existem a posição de Portugal não é muito animadora. Os yields chegaram a níveis incomportáveis, portanto, é apenas uma questão de tempo. E não faltará muito para que os reais problemas de Portugal sejam expostos à generalidade dos cidadãos.

PS: Uma nota para a atitude anti-patriótica de certas pessoas que colocam à frente do interesse nacional os seus próprios interesses pessoais. De qualquer forma, ainda estou para perceber qual é o interesse em ser-se presidente de um país falido.

PS2: Com OE ou sem OE o país irá, inevitavelmente, cair na bancarrota. É muito triste quando a demagogia e o medo tomam conta do discurso político, neste caso para nos apresentar a “absolutíssima” necessidade de aprovar um orçamento. Faz-me lembrar o teatro montado por Paulson e Bernanke aquando da aprovação do TARP.

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PREVISÕES OCDE 2011-2017

Portugal irá crescer a uma taxa média anual de 1,5% entre 2011 e 2017.
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